Terapia em grupo – sobre criação de conteúdo

Não sei vocês, mas eu acho engraçado ver o quanto pessoas completamente distintas podem ter os mesmos lamentos, as mesmas questões… Quando você vai até a bolha tech do Twitter, você vê os mesmos choros, as mesmas sofrências… obviamente em níveis distintos e sendo resolvidos de maneiras incrivelmente diferentes, e eu acho que isso faz parte um pouco da beleza de sermos humanos: temos as mesmas dores, mas lidamos com elas de uma forma muito individual. Recentemente, eu vi alguns tweets sobre produção de conteúdo que eu li e que bateram lá no fundo do meu coraçãozinho. Minha maneira de lidar com isso vai ser através desse post, tentando juntar todo mundo para fazer uma terapia em grupo – sobre criação de conteúdo. Fique à vontade para dar seu testemunho!

A Oprah apontando para pessoas aleatórias na platéia com a legenda "You get a therapist, you get a therapist, everybody gets a therapist"
Um terapeuta pra você, um terapeuta pra você, todo mundo ganha um terapeuta!

Introdução

É estranho pensar nessa coisa de criação de conteúdo, né… Eu não sei se esse conceito é recente ou se só passamos a dar mais atenção para isso nos últimos anos, mas é doido pensar o quanto isso grudou em nós como seres humanos. Falando especificamente sobre a bolha tech e o que eu vejo no Twitter, sempre aparece alguém falando sobre isso. Seja por quem, de fato, cria conteúdo para outras pessoas e para comunidades, seja outra pessoa falando que gostaria de criar mas não sabe o que teria de importante para falar… É uma pauta sempre presente. Hoje, eu gostaria de falar um pouco sobre uma das questões que eu tenho relacionada a isso, que é: meu conteúdo não está adequado ao que as pessoas querem consumir. Afinal de contas, isso é um problema?

Tudo começou quando, num dia desses, a Vanny (@WonderWanny) postou um tweet que eu li e bateu. E é aquele ditado: Bateu. Doeu? Leva que é teu.

Desde que eu decidi desenterrar meu blog sobre tecnologia, eu venho enfrentando essas questões sobre conteúdos: as pessoas ainda leêm? Ainda existe demanda para textos longos e detalhados sobre tecnologia? Não seria melhor ir para o YouTube ou para o Instagram? Não é lá que as pessoas estão? Pra que eu vou insistir nessa coisa de blog, em pleno 2019? Obviamente, como qualquer pessoa que tem um problema ou uma questão sobre ela mesma, eu achava que estava sozinha nessa. Foi bem recente que eu percebi que tem mais gente que se questiona a mesma coisa.

É só picuinha? É por que os outros dão certo e eu não?

Durante algum tempo, eu pensei que esse era o meu problema: é invejinha minha.

Afinal de contas, eu passo dias, às vezes semanas, pesquisando sobre um assunto, escrevendo sobre ele, editando o post, escolhendo imagens, arrumando SEO… para eu postar um textão brabo, super explicativo e… ter sete visualizações. Enquanto outra pessoa vai lá, faz uma dancinha com a trend do momento, apontando para palavras-chaves que aparecem por uma fração de segundos na tela… e chovem visualizações, seguidores, menções, etc, etc.

Não vou mentir: desanima um pouco, principalmente naqueles dias que você já não está tão confiante consigo mesmo. Afinal de contas, você trabalhou e se esforçou pra colocar um conteúdo legal e instrutivo pros outros. Pode ser que não seja nada de inovador ou que vá mudar o mundo, mas poxa… e o meu reconhecimento? Parece injusto, não?

Uma mulher loira de cabelo preso gritando "That's not fair. THAT IS NOT FAIR!"
Não é justo. NÃO É JUSTO!

Pois então: é injusto mesmo.

Infelizmente o mundo é injusto, a gente que tenta o tempo todo “controlar” esse caos que são os acontecimentos na nossa vida. Especialmente nós, de exatas: aprendemos que se você somar x e y, o resultado vai ser z. Não há espaço para nenhum outro resultado. Mas, no mundo real, quanto mais rápido você aprender que você não tem tanto controle quanto pensa que tem, menos você sofre. Eu acho.

Concluindo: pessoalmente, eu sinto um pouquinho de inveja sim. Mas eu não sinto inveja do sucesso de uma pessoa que faz dancinhas no Tik Tok para explicar superficialmente um assunto; eu sinto inveja da capacidade dela de saber identificar tendências, adaptá-las aos temas que ela quer transmitir e, principalmente, se sentir confortável em criar este tipo de conteúdo. Eu, honestamente, acho que esse é o grande xis da questão: às vezes, o formato de conteúdo que nós nos sentimos confortáveis e gostamos de criar não está “na moda”, não é “tendência”. E aí sentimos que “ficamos para trás”.

O consumo de tudo está cada vez vez mais frenético; de conteúdo também

Eu não sei de qual geração você é, mas aqui temos uma millenial lançando a pergunta: você lembra como era nos tempos mais analógicos? Quando o conteúdo que você queria acessar não estava, literalmente, disponível em uma tela na sua mão?

É doido pensar que, quando eu ia para a escola de manhã, eu e meus pais só tínhamos umas duas opções de estações de rádio, alguns CDs que ficavam embaixo do banco ou o silêncio. Se você quisesse escutar alguma música específica, tinha que lembrar de pegar o CD em casa (ou a fita, pra quem é mais velho). Se você quisesse saber sobre algum assunto, precisaria ir até uma biblioteca, pesquisar na famosa Barsa. Nada acontecia tão rápido.

E longe de mim falar que nesse tempo é que era bom. Posso até sentir alguma nostalgia mas assim… gosto mesmo é de ter o Spotify no celular e poder ouvir qualquer coisa a qualquer momento. Mas é doido pensar o quão mais “lento” era o consumo de conteúdo e o quão frenético é o ritmo que estamos hoje. E isso tem seu ônus, obviamente.

A figura de um relógio de cuco, com a legenda "Tick-Tock"

Valores da sociedade atual: consumo e produção

Além desse fato de estarmos consumindo cada vez mais conteúdo em cada vez menos tempo, precisamos estar o tempo todo sendo produtivos. Ainda mais em TI, que à cada uma hora sai dois framewoks novos, três livros, 15 posts e 100 tweets. Logo as pessoas descobrem aplicativos que leem livros em voz alta para poderem aprender enquanto estão fazendo faxina, escutam podcasts didáticos enquanto dirigem e veem vídeo aulas enquanto lavam louça. É vertiginoso.

Eu não julgo quem o faz porque precisa: tem muita gente com menos privilégios que precisa se desdobrar em três pra poder dar conta dos rolês. Acontece; não deveria, mas acontece.

Portanto: para que o usuário vai parar para ler um textão de blog que vai levar uma hora se, nessa mesma hora, ele pode consumir MUITOS TikToks? Para que sentar e fazer um tutorial recheado de informações e conceitos se é possível ver um vídeo acelerando sua velocidade e ir exatamente para a solução pontual do problema? Por que ler um livro de teoria se eu posso assistir um Reels de 15 segundos de uma pessoa apontando para alguns desses conceitos de forma sincronizada com a música do momento?

Veja: eu não acho que devamos desprezar nenhum tipo de conteúdo. Todos eles são válidos para o aprendizado de alguém; porém cada dia que passa tenho mais e mais certeza de que existem coisas que você não aprende com um carrossel no Instagram. Você precisa de teoria mais densa e muita prática, coisas que vão muito além da quantidade de posts das redes sociais e partem para a qualidade das informações que foram cuidadosamente separadas e conectadas entre si.

Minhas estratégias para encontrar conforto

Tal qual dito mais acima: se esforçar para criar conteúdo de qualidade e não ter o reconhecimento que pensamos merecer dói. Porém, eu quero acreditar que nós, Pessoas Dos Textões®, não estamos sozinhos, e que precisamos encontrar estratégias dentro de nós mesmos para superar essa melancolia causada pelo sucesso do conteúdo rápido e volátil. Pensando em ajudar outros coleguinhas blogueiros, vim aqui compartilhar algumas das coisas que eu gosto de pensar sempre que estou envolta no meu processo criativo de criar um texto novo, seja para o blog que for:

Eu sei o que eu gosto de consumir

Eu sempre gostei muito de escrever e sempre fui a pessoa do textão. Desde criança, estava sempre cercada por caderninhos, lápis e canetas, escrevi dezenas de fanfics, tive inúmeros blogs dos mais variados assuntos… então sentar e ver minhas palavras preencherem várias e várias páginas, em papel ou em um documento Word, sempre foi natural pra mim.

Assim como eu adoro um textão, eu também gosto bastante de consumir textões, especialmente quando estou estudando alguma coisa. Eu entendo que cada um tem a sua preferência na hora de produzir: tem gente que faz vídeo, tem gente que faz live e tem gente que faz Tik Tok. E, às vezes, é óbvio que eu consumo esses outros tipos de conteúdo também. Mas eu gosto mesmo é de ler, de poder copiar os trechos que eu acho importantes em outro documento, às vezes eu até imprimo pra poder escrever do lado e grifar. Eu sei que eu sou esse tipo de pessoa.

Por isso, eu adoro os blogs, as newsletters e os livros. Eu obviamente sei que não tenho mais o foco que tinha para ler esses tipos de textos, mas eu continuo gostando. E, obviamente, se eu estou lendo tudo isso, é porque existe um público para isso. E isso me leva ao meu segundo ponto.

O desenho de um jovem voando em frente ao computador enquanto sai um arco-íris da tela.

Eu sei que tem mais gente que nem eu por aí

Assim como eu adoro ler os textões, eu amo escrevê-los. E isso também me faz pensar que existem mais pessoas que também gostam de lê-los. Existem aqueles que procuram pelos tutoriais detalhados que eu faço, que querem todos os mínimos detalhes descritos em ordem, que querem ler outras opiniões bem fundamentadas antes de tomarem uma decisão…

Eu sei disso também porque vejo o Analytics do meu blog e as visitas chegam sempre que publico um novo post. Recebo alguns (poucos) comentários sobre o que eu escrevi, e já recebi de pessoas falando que aquele post os ajudou – e isso pra mim vale ouro. É muito gostoso saber que você tem alguma audiência, mesmo que pequena. Acende aquela fagulha pequena, mas muito importante, do pertencimento. Por mais que seu alcance seja pequeno, ele pode aumentar e chegar em lugares que você nem imagina. E é gostoso demais saber que tem outras pessoas como eu espalhadas por esse mundão – seja ele real ou virtual!

Vários Power Rangers agrupados com a legenda "Squad Goals"
Sonho de time!

Escrever o que eu gostaria de encontrar na internet

Além de gostar do textão, eu também gosto do conteúdo detalhado, sendo ele no formato que for. Sabe aquele conteúdo explicadinho, que para quem é mais sênior pode até ser ofensivo, mas pra quem é mais júnior é perfeito? É disso que eu gosto. Gosto dos detalhes, das explicações dos processos, do porque conseguimos chegar no ponto x a partir do ponto y. Isso sempre me encantou muito e, consequentemente, é assim que eu gosto de escrever meus conteúdos também.

Eu quero juntar todas as informações que eu pesquisei para que a próxima pessoa que procure por aquelas coisas possa encontrar tudo junto, sem precisar ficar costurando vários posts diferentes. Quero que meus posts contenham detalhes, exemplos, resolução de erros, dicas e truques. Quero que ele faça a diferença no dia daquela pessoa que está lendo.

Sempre que começo um texto novo, seja ele técnico ou não, parto do princípio que estou escrevendo um conteúdo que eu gostaria de encontrar caso estivesse procurando sobre aquele assunto. Assim, consigo sempre me realizar com os textos que publico e ficar sempre orgulhosa deles.

Uma garota lendo em um computador enquanto o tempo passa. Primeiro é dia, depois tarde e por fim noite, em sua janela.

E você, em qual lado dessa discussão está? Inclusive, que fique claro que tudo bem estar em cima do muro nesse caso: quem nunca aprendeu nada com um TikTok que atire o primeiro smartphone! Caso tenha lido esse textão inteiro, conta aí pra mim que tipo de conteúdo que você prefere consumir e porquê. Venha fazer parte desta sessão de terapia que, juntos, boto fé que saímos melhor 😙👇


📖 Links consultados

📕 O futuro do consumo de conteúdo nas estratégias de marketing – Digilandia

📘 O peixe que viramos – Fernand Alphen, meio & mensagem


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